sexta-feira, 9 de março de 2012

20 de dezembro de 1926, no “A Tarde”

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20 de dezembro de 1926, no “A Tarde”:

PARA ACABAR COM O BANDITISMO
Uma conferencia dos chefes de policia da Bahia, Alagôas, Pernambuco, Parahyba, R.G. do Norte e Ceara
O SR. MADUREIRA DE PINHO IRÁ, NO GELRIA, A RECIFE


Desde sexta–feira que circula a noticia de que o sr. Madureira de Pinho, chefe de policia, vae viajar. Do logo tivemo a sua confirmação com este telegramma que nos foi dado ler, dirigdo pelo novo governador de Pernambuco ao seu collega bahiano a proposito da repressão do banditismo annunindo a Bahia em representa–se na dita conferencia por intermedio do seu secretario da Securança Publica, que deve embarcar no “Gelria”, no dia 24. O despacho em questão é po seguinte:
“RECIFE, 15 – Após verificar a situação real da zona sertaneja, depredada por diversos grupos de bandidos, cujo numero não é exaggerado calcular em quatrocentos e ser impossivel combatel–os efficazmente sem a acção conjuncta e bem orientada dos Estados limitrophes, tambem por elles frequentados, estou augmentndo a força volante commandada pelo major Theophanes Torres, incumbido da perseguição aos bandoleiros, estando regularmente guarnecidas as principaes cidades e villas da zona infestada. mpossivel, entretanto, evitar os assaltos ás fazendas e comboios de estradas e aos viajantes e bem assim impedir a facil movimentação dos bandidos bem montados, não contando com a condescendencia ou protecção. Nessas condições apello para V.Ex. afim de organizarmos uma acção simultanea contra o banditismo, devendo mesmo ser estudado e assnetado em reunião dos chefes de policia Bahia, Alagoas, Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Contando com a acquiescencia de V.Ex. e sendo urgente as medidas energicas entendo que a reunião si poderá effectuar aqui, no dia 28 do corrente. Aguardando resposta, saudo V.Ex. cordialmente. (a) Estacio Coimbra”
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O PAPEL DA BAHIA
Faltariamos á justiça de não lembrarmos aqui que, á Bahia, ao seu actual governo, coube á iniciativa de acabar com o banditismo nordestino, combinando providencias com os estados que lhe são limitrophes tendentes ao reciproco fechamento de fronteiras. Nesse sentido, o sr. Mario barbosa, official de gabinete dpo sr. governador executou este anno delicada commissão, indo á varias capitaes do Norte em prosseguimento de trabalhos aqui iniciados, concluindo pela obtenção de alguns convenios iner–estadoaes que seriam depois sanccionados pelos respectivos orgãos de goevrno como effectivamente o foram. Foram estes os accordos officialisados:
decreto bahiano 4.241 de 21 de janeiro deste anno, referenado pelo sr. Madureira de Pinho e assignado pelo sr. Góes Calmon, approvando convenios; idem decreto pernambucano n.16, de 5 de janeiro de 1926, referendado pelo sr. Luiz Cabral de Mello e assignado pelo sr. Sergio Loreto; idem decreto alagoano n.5 de 8 de janeiro, com as assignatuas do governador e respectivo chefe de policia; idem, idem sergipano, dec. n.917, de 12 de janeiro de 1926, com as assignaturas dos srs. Carlos Alberto Rolla e Graccho Cardoso.
Isto posto, a Bahia, pelo menos não se deixou ficar no papel, o que incontestavelmente representa uma grande medida de repressão á desordem e de tranquilidade publica. E provou–o em successivas providencias, algumas das quaes por guardarmos de memoria, aqui vão: enviou um destacamento de cem praças, commandado pelo capitão Arthur Cortes, para guarnecer Santo Antonio da Gloria; outro commandado pelo capitão Hermogenes Pires para defender Curaçá; ainda outros commandados pelos tenentes Romão e Alfredo Antunes para pontos ameaçados do nordeste e, mais recentemente, uma força de 130 praças, sob o commando do tenente Pedro Dorea, para Petrolina, força essa que se encontra hoje guardando as cidades pernambucanas de Cabrobó e Boa Vista.
Accrescente–se que essa movimentação de soldados da Força Publica bahiana foi em sua maior parte determinada pela actividade do celebre bando de Lampeão que algumas vezes se approcimou de nossas fronteiras, de onde logo se affastava pelo conhecimento de que o castigo não demoraria.
O rebate, portanto, que agora dá o governo pernambucano não é original. poderá reforçar o trabalho feito, dando execução obrigatória integral na parte do guarnecimento das fronteiras e negociando novos convenios que acabem de fechar o circulo de ferro dentro do qual o banditismo terá fatalmente que morrer asphixiado.
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