sexta-feira, 17 de agosto de 2012

25 de setembro de 1926, no “Diario de Notícias”:


Os terriveis auxiliares do facinora Lampeão

Antonio Ferreira, irmão do bandido, é considerado mais perverso do que elle!

Os leitores já conhecem, de sobra, a carranca enfezada do famoso Lampeão, e, modéstia á parte, se a conhecem, devem–no á incansavel reportagem do Diario de Noticias, que a publicou, de primeira–mão, depois de consegui–la por intermedio de um representante nosso, nos sertões de Pernambuco.
Irão conhecer, hoje, porém, a mascara tigrina de um irmão do bandido, e de um irmão que é considerado por todas as victimas do misero bandido, como mais perverso, mais hediondo e ainda mais requintadamente brutal do que Virgolino.
Trata–se de Antonio Ferreira, que, ainda ha pouco, em terras do Ceará, rechou ao meio uma criancinha de 1 anno, a machado, porque o pai da mesma, o dr. Virgilio Castro Moreira, feito prisioneiro, se recusou a entregar ao scelerado uma carta para a agencia da Companhia Standart Oil, em Fortaleza.
Os leitores ahi têm a fera no alto destas columnas.
Mirem a sua physionomia, e tremam de saber que similhante monstro pisou terras bahianas no mês passado.
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Como citar
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1928 - Cangaceiros presos em Recife

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Em 1928, a repressão aos atacantes de 1927, a Mossoró, no Rio Grande do Norte, havia já acumulado algumas prisões.
Nesta imagem, alguns cangaceiros que participaram do evento e já se encontravam presos e concentrados em Recife, em outubro de 1828.
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Morro do Chapéu...

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21 de outubro de 1929, no “Diario de Noticias”:
Lampeão e Corisco continuam a fazer inquietas e sobresaltadas as populações sertanejas da zona centro do Estado.
A POLICIA ADOPTA NOVO PLANO
Consoante o texto do telegramma transmittido ao sr. Chefe de Policia pelo delegado de Morro do Chapéo, Corisco e o grupo sob o seu commando foram batidos no municipio de Morro do Chapéo, tendo a luta se travado ás 11 horas da noite de ante–hontem, sabbado.
– A força policial, composta de quinze praças e auxiliada por civis devidamente armados, sob a direcção do delegado, encaminhou–se corajosamentepara o ponto, onde se suspeitava surgisse o grupo sinistro, entretendo–se ahi o tiroteio, durante tres horas consecutivas, até que os cangaceiros fugiram, batidos, deixando armamentos, munições, cantis etc.
CORISCO BATIDO EM MORRO DO CHAPEO
Convencida, agora, de que os bandidos se acham effectivamente divididos em dois grupos, do que lhe deu certeza terem occorrido, nas mesmas horas, o tiroteio de Morro do Chapéo e a façanha de Quebrado, a Chefia da policia, ao que sabemos, vae mudar de plano, já tendo, nesse sentido, telegraphado aos commandantes das forças volantes, dando as necessarias instrucções, a serem observadas dagora por deante.
Aguardemos, portanto, os resultados da nova estrategia, dentro de oito dias em plena execução.
Correspondência de Lampeão para o coronel Benta, de Morro do Chapéu:
"Ilm. Sr. Cel. Antonio de Benta. 
 Estimo suas Saudações. 
Cel., paçando eu nestas midiações Não fiz prano de paçar por ahi divido a lhi respeitar pois seio que o Sr. É um homem muito de Bem e seio que não mi É contaro apois não pretendo faer mal alguns, a estas ondas por este mutivo espero e confio no S.,. apois tenho muitas Boas informações de si, para commigo portanto não tome por prevenção esta paçage minha por aqui sinto mui não lhi mandar uma lembrança apois V.S. conhece minhas condições. Quero receber uma lembrança de ci espero e confio muito no Sr. dispaxe este logo que vou viajando. Disponha deste menor amigo
Virgulino Ferreira Lampeão.
mande mi alguma noticia si já tem do sertão, mesmo Lampião."
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Localização de algumas referências do Cangaço


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Mapa da região de Morro do Chapéu, com a localização da Fazenda Cercado, onde os cangaceiros pernoitaram, antes de desistir da incursão à Chapada Diamantina e se retirarem. Foi o ponto mais a sul, na Bahia, a que chegaram.
Somente o subgrupo de Azulão conseguiu ir mais a sul, mais tarde, cerca de 20 quilômetros, em outro sítio.
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Coronel Antonio de Souza Benta, pintado pelo artista Prisciliano Silva, por encomenda pelo farmacêutico José Aurelino Brito. Nascido em 1868, preparou Morro do Chapéu para resistir a Lampeão. Esta pintura mostra sua aparência à época do evento. - Imagem gentilmente cedida por Antônio José Dourado Rocha.
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Acima, o coronel Antonio de Souza Benta, à época em que bloqueou a passagem de Lampeão. Ao seu lado, o coronel Francisco G. Matos, o Chico Matos, comerciante, comprador e revendedor de diamantes, primo do coronel Horácio de Matos. - Imagem gentilmente cedida por Antônio José Dourado Rocha.
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Depoimento de senhor que prefere ainda não identificar, de Morro do Chapéu:
"De Lampião tem um caso interessante... quando ele esteve em Morro do Chapéu, e não conseguiu passar... O major Arnóbio Soares Bagano foi personagem de um interessante encontro com o Lampião, na sua fazenda Garapa, bem às margens do rio Jacaré. Em 9 de julho de 1929, quando o bando de Lampião, pernoitou na Fazenda Cercado, que dista vinte e um quilômetros da cidade de Morro do Chapéu... Em seguida, achando que tinha uma armadilha para ele, em Morro do Chapéu, preparada pelo coronel Benta, que tinha mesmo se armado e se preparado para combatê–lo, fugiu, em direção a Sento Sé... Passando pelo Garapa, nas margens do rio Jacaré, pregou um grande susto ao major Arnóbio Soares Bagano, que fazia a sesta dormindo em uma rede de caroá, amarrada em uma árvore... Ele foi despertado com alguém balançando a rede assim, pela corda... O major virou e ficou sentado na rede, olhando... Depois de algum tempo disse:
– Com quem estou falando?
– Tá falando com o capitão Virgulino Ferreira, o Lampião!
O major, fingindo surpresa, perguntou:
– É esse que mata mais que Deus? Me dá então um abraço apertado pra ver se eu morro logo!
Aí, com essa brincadeira, o major Bagano descontraiu o ambiente... Ainda mais que foi logo avisando:
– Não tenha receio! Estão chegando uns rapazes, mas são empregados da fazenda e não há perigo...
O major Bagano ofereceu coco, laranja e comida a Lampião e aos cangaceiros... e ficaram de prosa... Os cangaceiros gostaram de um rifle... pegaram e levaram, mas pagaram.
Em seguida, quando iam embora, pegaram dois animais da fazenda e Lampião disse:
– Esses vão voltar... mas os que os macacos tomarem não voltarão...
E partiram."

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Velório de Coronel Antônio de Souza Benta. em 1946. Nascido em 1868, chefiou a preparação, em Morro do Chapéu, para combater Lampeão, que chegou a 21 km da cidade, em 1929. No centro da foto, ao fundo e ao lado direito do caixão, com veste quadriculada, sua esposa Honestina Virgilia Benta.
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Como citar
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

27 de novembro de 1929, no “A Tarde”:



No Rastro dos Bandoleiros
As proezas de Lampeão e de seu sinistro bando num film

O sr. José Nelli, conhecido operador cinematographico, resolveu fazer um grande film de divulgação das façanhas de Lampeão e do seu terivel bando.
O intuito do sr. Nelli é, revivendo os moticinios e scenas de vandalismo do faccinorara apresental–o tal qual elle é: simplesmente um animal senguinario. Para isso o sr. Nelli esta percorrendo todo o nordeste reconstituindo os crimes de Virgulino.
Os clichês acima mostram a estação de Rio do Peixe e uma scena do film.
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cangaceiros aprisionados

Alguns cangaceiros,  ainda no auge do Cangaço, escaparam da quase certa morte nas mãos de policiais, jagunços e mesmo populares. Acima, fotografia obtida na Casa de Correção, em Salvador, Bahia, em 1933.
São três cangaceiros aprisionados: Bananeira, Alecrim e Relâmpago.
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21 de março de 1927, no “A Tarde”


O padre Cicero continua a mandar e desmandar lá nos seus adustos domínios de Joazeiro, no sertão cearense.
Alçado á categoria de super–homem pela ingenuidade do caboclo nordestino, o velho sacerdote tem, ali, um desses prestígios formidáveis que dominam populações, moldando–as ao sabor de sua vontade.
Para o sertanejo, maior do que o padim pade circo – só Deus.
E elle, por isso, faz o que entende apoiado por milhares de homens fanatizados.
O clichê que estampamos acima é bem uma prova desse absolutismo do chefe cearense: – representa uma nota de 10.$000, corrente em Joazeiro, impunemente, apezar de provir de emissões clandestinas, feitas ali.
E quem quizer saber quanto vale este dinheiro que tem a effigie do padrinho, ridicularize–o á vista de um caibra de chapéu pancada e Pajahu de Flô á cintura...