segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cangaceiros sepultados no Cemitério Quintas dos Lázaros, Salvador

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Quatro cangaceiros aparecem com restos no Cemitério Quintas dos Lázaros, na Baixa de Quintas, em Salvador.
São Azulão, Zabelê, Canjica e Maria.
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Um caso recente que merece comentário é o do cangaceiro Corisco.
Cristino Gomes da Silva, o Corisco, teve sua cabeça e seu braço mumificados que estavam no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, desde 1940, e as demais partes dos seus restos, que estavam em Miguel Calmon, unidos para serem sepultados somente em 1977.
Finalmente, em 2012, seus restos foram retirados pela família, cremados e suas cinzas atiradas ao mar.
O jazigo de Corisco ficava logo após a entrada do cemitério, virando-se à direita, na segunda fileira de sepulcros.

Imagem mostrando a sepultura de Corisco em 2011 e o mesmo local, em 2013, já com seus restos e a campa retirados.
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Para se chegar à sepultura das cabeças dos cangaceiros Azulão, Zabelê, Canjica e Maria, inumadas em 1969, segue-se adiante. Passa-se pela capela do cemitério e, após a mesma, vira-se à esquerda. As sepulturas estão na parte inferior do segundo bloco gavetas ou carneiras à direita.

Sepulturas das cabeças do quatro cangaceiros mortos no confronto de Lagoa do Lino.
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Guia geral do Cemitério Quintas dos Lázaros, indicando a localização das sepulturas dos quatro cangaceiros e o antigo sítio da sepultura de Corisco:

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Ecos de Canudos no Cangaço

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Tema que tangencia o do cangaço, muitas vezes, temos a rebelião conselheirista de Canudos.
Abaixo imagens obtidas pelo amigo José Gonçalves, de Bonfim.
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Manuel Ciríaco e Pedrão se reencontrando.

Pedrão e Manuel Ciríaco
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Texto de José Gonçalves, de Senhor do Bonfim:
"Pedrão e Manuel Ciríaco, ambos sobreviventes da Guerra de Canudos. O primeiro foi membro da Guarda Católica e talvez a figura de maior expressão no séquito de Antônio Conselheiro. “Mestiço de porte gigantesco”, conforme destacou Euclides da Cunha, em Os Sertões, ocupou lugar de destaque durante os combates, tendo sido comandante de piquete. Sobrevivente, confessou a José Calasans nos anos cinquenta: “o coração pedia para brigar...
Pedrão combateu ainda o bando de Lampião. Assim, podemos dizer que ele participou de duas guerras. Euclides da Cunha o chamou de O Terrível defensor do Cocorobó
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Na verdade, em entrevista que realizei com filho de responsável, avançando mais no tema, Pedrão não chegou a combater propriamente os cangaceiros. Ele, considerando sua ampla experiência, foi um contratado de empresa que abria estradas no sertão, especialmente o canudense, para treinar e organizar jagunços, na defesa das obras, contra as atividades cangaceiras. Estas eram, notoriamente, hostis à abertura de estradas, tendo cangaceiros, com Lampião à frente, trucidado trabalhadores desta empresa.
Pedrão era responsável por cerca de oitenta jagunços, dividindo-os em dois turnos de 12 horas... O seu homem de confiança era apelidado "Gato", sendo notório pela extrema crueldade nas ações de repressão.
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Aproveitando, este é Honório Vilanova, irmão de Antônio Vilanova, ambos líderes da resistência de Canudos:

Honório Vila Nova com sua “manulincher”, que foi utilizada na Guerra de Canudos.
Imagem trazida do site:
http://www.maninhodobaturite.com.br/?p=135
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sábado, 27 de agosto de 2011

Lagoa do Lino

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Um subgrupo do bando de Lampião, composto por 4 cangaceiros e 3 cangaceiras, liderado por Azulão, assolou as regiões de Mairi, Várzea do Poço, Miguel Calmon, Várzea da Roça, Serrolândia, Jacobina, em setembro e outubro de 1933.
Muitas agressões foram cometidas pelos cangaceiros, especialmente com o uso de palmatórias.
Em outubro de 1933, o grupo foi localizado na Fazenda Lagoa do Lino, e travado um combate, no qual morreram os cangaceiros Azulão, Zabelê e Canjica, e uma cangaceira de nome Maria.
Dentre os que escaparam estava o cangaceiro Arvoredo.
Notícia sobre o confronto em que morreram os quatro cangaceiros trazida do blog "Cariri Cangaço"
http://cariricangaco.blogspot.com/2010/03/morre-azulao-e-acoitadores-de-lampiao.html

Os mortos foram decapitados e suas cabeças conduzidas a Salvador.
Cabeças de, da esquerda para a direita, Zabelê, Maria, Azulão e Canjica.

Em Salvador, ficaram as cabeças expostas, no Instituto Nina Rodrigues, até 1969. Então, por uma determinação do governador Luiz Viana Filho, no mesmo evento que levou ao sepultamento das cabeças de Lampião, Maria Bonita e Corisco, finalmente foram sepultadas.
Isto no cemitério de Quintas dos Lázaros.
Sepulturas das cabeças do quatro cangaceiros mortos no confronto de Lagoa do Lino.
Aos interessados, há uma grande dificuldade para localizar a Fazenda Lagoa do Lino... onde ocorreu o combate.
Ela aparece na literatura como situada nos municípios de Djalma Dutra (atual Miguel Calmon), Serrolândia, Mairi, Várzea do Poço, Várzea da Roça e Jacobina...
A realidade:
1 - Ela está na divisa entre os municípios de Várzea do Poço e Serrolândia, em área de litígio entre ambos.
2 - Fica mais próxima ao povoado de Maracujá, que pertence ao Município de Serrolândia, mas é mais próxima e acessada pelo Município de Várzea do Poço.
3 - Mudou de nome para Fazenda Santa Mônica
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Abaixo, guias que facilitam a localização do sítio do combate.
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Acima, detalhe mostrando a localização da antiga sede da Fazenda Lagoa do Lino, distante, pelo caminho, 270 metros da estrada principal. O laguinho visto mais ao norte, a 200 metros da sede da fazenda, foi o sítio da morte dos cangaceiros.
Coordenadas: 11°30’29,15’’S e 40°13’21,95’’O.
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O cangaceiro Arvoredo e seus matadores.


Cangaceiro Arvoredo... Hortêncio Gomes da Silva.
e
Uma imagem cuja dificuldade para conseguir foi grande, mas, graças ao senhor Raimundo, de Jaguarari, ex-cunhado de João Biano, e a gentileza imensa da filha e do filho deste valente matador de Arvoredo, aqui a única foto existente... de João Biano:

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Muito chamado por "João Biana" é uma alteração posterior ao evento da morte de Arvoredo.
O nome correto é João Biano da Silva.
No texto de Oleone Fontes, em seu livro "Lampião na Bahia", aparecem os matadores citados como Xisto e João Martins da Silva... Este erro apenas reproduz o cometido pelo coronel Alfredo Barbosa, de Jaguarary, que, à época do evento, relatou-o, errando no nome de João.
João Biano está enterrado na Fazenda Saco, em Jaguarari.
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Partícipe, com o amigo João Biano, na morte do cangaceiro Arvoredo, esta é a única foto restante de Cícero Ferreira, o Xisto.
A dificuldade para se conseguir esta foto foi imensa, mas, finalmente, graças ao sobrinho de Xisto, Messias, e à filha adotiva daquele, a "Neguinha", consegui esta imagem.
Xisto está sepultado na Fazenda Mulungu, em Jaguarari.
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Sepultura do cangaceiro Arvoredo, em Jaguarari:

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Sepultura do cangaceiro Arvoredo, em Jaguarari - detalhe - AC = Arvoredo Cangaceiro:

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Cícero Ferreira, o Xisto



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Partícipe, com o amigo João Biano, na morte do cangaceiro Arvoredo, esta é a única foto restante de Cícero Ferreira, o Xisto.
Xisto está sepultado na Fazenda Mulungu, em Jaguarari.
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