segunda-feira, 14 de julho de 2014

Colorizando a foto do bando na Fazenda Jaramataia.


A foto do bando na Fazenda Jaramataia, em Canhoba, Sergipe, é uma referência para a História do Cangaço.
Foi tomada, em agosto de 1929, por Eronildes de Ferreira de Carvalho, seu proprietário e que veio a ser governador do Estado de Sergipe.
Aparecem, nesta imagem, de pé, da esquerda para a direita, Marianno, Ezequiel (Ponto-Fino), Calais, Fortaleza, Mourão e Volta-Secca. Sentados, da esquerda para a direita, Lampeão, Virgínio, Zé Bahiano e Arvoredo.
Como ponto a ser observados, há que em certas cópias, a figura de Marianno não aparece. Há a suspeita de ser um recorte fotográfico de outra imagem, que foi aplicada em uma montagem. Esta teria se realizado ainda no início dos anos 1930. A foto que teria sido copiada, entretanto, teria sido tomada também na Fazenda Jaramataia, no mesmo dia.
Sua colorização visa, além da questão estética, chamar a atenção, ampliando a discussão em torno do tema.
Antes e depois da imagem:

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Como citar
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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Os Lantyer, de Queimadas

Rio Itapicuru, em Queimadas, no ponto atravessado por Lampeão e seu bando, em 22 de dezembro de 1929.
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A entrada de Lampeão e seu bando, em Queimadas, em 22 de dezembro de 1929, se fez após a travessia, por canoa, do Rio Itapicuru.
Desembarcou o grupo a cerca de 150 metros do chamado Chalé Lantyer.
Caminharam em sua direção e encontraram dois homens diante de um automóvel.
Foi assim que João Lantyer de Araújo Cajahyba tornou-se o primeiro a ser abordado por Lampeão e demais cangaceiros, após aqueles terem atravessado o Rio Itapicuru, diante da sua residência.
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Chalé Lantyer, em Queimadas.
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Ali, João se encontrava com o mecânico Pedro Patápio realizando consertos no seu "Ford Bigode”.
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João Lantyer, segundo à direita, com seu "Ford Bigode", em 1928. Na extrema direita, o mecânico Patápio.
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Após breve conversa com Lampeão, que solicitou o automóvel para adentrar a cidade no mesmo, informando-o que este se encontrava, como se podia perceber, com defeito, foi deixado para trás. Isto, enquanto o cangaceiro despachava alguns cangaceiros para neutralizar o telégrafo e avançou adentrando a cidade.
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João Lantyer
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Zulmira Lantyer de Araújo Cajahyba, irmã de João, que se encontrava na residência da sua irmã, Djanira Lantyer de Araújo Cajahyba, quando foi chamada a ver a passagem do que seria uma tropa volante pernambucana.
Reconheceu Lampeão e os cangaceiros que, passando-se por força volante, adentravam Queimadas.
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Zulmira Lantyer
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Tentou avisar a cidade, em uma ação poderia ter evitado o saque da cidade e o massacre dos soldados.
Entretanto, não deram crédito ao seu alerta.
Tendo tomado a cadeia e quartel e prendido o sargento Evaristo e alguns praças, Lampeão fez tocar o apito que chamava os demais para o quartel.
João Lantyer avistou e avisou um dos soldados que a pretensa volante era, na verdade, um "troço de cangaceiros” liderado por Lampião. Entretanto, o soldado não acreditou nele e seguiu para a morte.
Nascido em 24 de setembro de 1895, João Lantyer faleceu em 17 de dezembro de 1987, em Queimadas.
Zulmira Lantyer faleceu em Queimadas em 25 de junho de 1989.
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Como citar
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Seu Nôza... José Moura de Oliveira

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Faleceu, neste 3 de julho de 2014, em Salvador, José Moura de Oliveira.
Nascido em 23 de fevereiro de 1925, em Queimadas, Bahia, naquele município, era mais conhecido pelo apelido que lhe deu sua irmã mais velha, quando era ainda um bebê. "Nôza".
com a idade, ganhou um "Seu" ao antigo apelido, tornando-se "Seu Nôza".
Nôza
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Desconhecido da imensa maioria das pessoas, é uma verdadeira referência por dois pontos.
Em primeiro lugar, era a criança que estava dentro quartel, em Queimadas, quando foi invadido pelos cangaceiros, em dezembro de 1929. Ao seu lado, Lampeão parou e deu ordem de prisão aos policiais.
Apesar da tenra idade, a impressão que lhe causou o evento deixou em sua memória viva impressão e perfeita recordação. Isto, especialmente, por haver testemunhado o início do massacre, nomeadamente a morte dos dois primeiros policiais.
Em segundo lugar, considerando a quantidade de equívocos, inverdades e mistificações diversas que àquele evento começaram aderir, iniciou uma coleta de informações, registrando-as meticulosamente.
A quem o visitava, recebia com imensa simpatia e atenção, apresentando o seu relato já impresso.
Dizia:
"- Junta-se aí o que eu vivi, o que eu vi, com o que ouvi dos demais..."
Este documento era lido, por ele, para o interessado, na íntegra e, na medida do possível, enriquecido, conforme o interlocutor apresentava novas perguntas. 

Seu Nôza lendo seu relato dos eventos de 22 de dezembro de 1929, em Queimadas.
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Seu depoimento aparece em:
http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2012/01/depoimento-de-jose-moura-de-oliveira-o.html
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Uma versão mais recente e completa, a derradeira, ainda está por ser publicada neste blog.
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Desenhando a situação real das antigas sepulturas dos soldados, no cemitério de Queimadas.
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Com Valdeci Figueiredo dos Santos e Jubiratan Silva Santos, filhos do sargento Evaristo, sobrevivente do massacre de Queimadas.
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Tendo vivido a maior parte dos seus últimos anos em Salvador, próximo aos filhos e netos, veio a nesta cidade falecerem função de um câncer.
Seu corpo foi levado a Queimadas e, neste 4 de julho de 2014, estará sendo ali sepultado.
Um abraço, amigo... E muito obrigado pelo seus senso de História e compromisso com esta.
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Como citar
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