quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

14 de maio de 1928 - Antonio Souza

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14 de maio de 1928, no “A Tarde”:
O BANDO
de Antonio Souza

Uma força volante do Ceará destroçou–o em Araripe
De conformidade com as bases do convenio policial, os Estados limitrophes ao da Bahia não dão treguas ao bando do destemido cangaceiro Antonio Souza, que ha dias vem revolucionando o sertão bahiano.
Hontem, o dr. Madureira de Pinho, secretario da Policia, recebeu do seu collega do Ceará o seguinte telegramma:
“Acaba de ser destroçado na serra do Araripe o grupo do bandido Antonio Souza, pela volante do ten. Aristides Rosa, que continua perseguindo os bandoleiros. Morreu na luta o bandido José Pereira, sendo capturado o criminoso Firmino e apprehendidos tres animaes.
Telegraphei nosso prezado collega de Recife, pedindo concurso companhia volante tenente Arindo, empenhada como se acha esta chefia em auxiliar o exterminio do banditismo. Saudações cordiaes. – (a) Paulo Pessoa, chefe de policia.”
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12 de maio de 1928

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12 de maio de 1928, no “Diario de Noticias”:
Lampeão!
Reduzido o grupo a 9 homens, o sertão pernambucano respira agora a liberdade
RECIFE, 11 – Argos – Commerciantes, autoridades e conselheiros de Villabella telegrapharam á imprensa, dizendo que realmente o sertão respira, hoje, livremente, por estar o grupo de Lampeão reduzido apenas a nove homens e internado nas caatingas, fugindo de todos e de tudo.
O povo sertanejo dá graças a Deus por haver o sr. Estacio Coimbra, inspirado nos mais nobres sentimentos, promovido a cruzada do saneamento moral do sertão, em boa hora confiada ao major Theophanes Torres, cuja actuação proveitosa e efficiente na campanha contra o banditismo só desconhecem inimigos pessoaes.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Alagoas desarmada por Costa Rego


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13 de abril de 1928, no “A Tarde”:
O “TRUC” DE UM GOVERNADOR
Como o sr. Costa Rego desarmou o sertão de Alagoas
RIO, 12 (A TARDE) – Numa roda de amigos em que se achava conhecida figura, provinda de Maceió, ouvi a seguinte interessante narrativa:
Empenhado em acabar com o banditismo no Estado de Alagoas, o governador Costa Rego architetou e poz em pratica uma medida original.
Allegando receios de reacção contra o seu governo, o sr. Costa Rego teria dirigido aos chefes politicos do interior, dos quaes alguns eram protectores conhecidos de cangaceiros, uma circular alludindo a essas suspeitas e pedindo o apoio a cada umd elles, apoio que consistiria em reunir o maior numero possivel de homens destemidos, embarcando–os para a capital, para onde deveriam vir logo armados e municiados, trazendo a maior quantidade de armas e munições que fosse possivel arrecadar.
Á vista dessa circular, e querendo dar arrhas de maior dedicalão ao governo, cada umd esses chefes entrou a empregar os maiores esforços, na demonstração da sua força.
Dahi resultou que legiões e legiões de cangaceiros vieram para a capital, promptos para combate. A cidade, pode dizer–se, ficou invadida por esses maus elementos.
Á proporção que iam chegando, o sr. Costa Rego ia arranchando esses cangaceiros nos quarteis e em casas que para esse fim destinou. E lá um bello dia, depois de pagar pelo governo as despezas da sua estada, deu passagens de volta a todos elles, fazendo–os portadores de cartas para os alludidos chefes politicos, nas quaes lhes agradecia o concurso prestado, que já não era, porém, preciso por haver passado a temerosa crise.
Quando, porém, esses chefes reclamaram as armas que tinham vindo, o sr. Costa Rego, então, lhes declarou, em nome do governo, que não havia necessidade de gente armada no interior do Estado.

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O Cangaceiro Campinas - Matérias


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7 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
TERIA DESERTADO MESMO DO BANDO SINISTRO?
UM ASSECLA DE LAMPEÃO, PRESO EM PARIPIRANGA E TRAZIDO Á CAPITAL

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A horda de bandidos, chefiada por Virgolino Ferreira, continua a infestar a zona sertaneja que o temivel facinora escolheu para campo de suas operações.
Agora mesmo o bando sinistro se encontra no visinho Estado de Sergipe.
Compõe–se de 23 caibras chefiados pelo terrivel scelerado: 20 homens e 3 mulheres, bem armados e municiados.
Ultimamente um dos asseclas do grupo, o bandoleiro José Soares Santos vulgo “Campinas” entendeu de abandonar os companheiros de cangaço, fugindo – porque só fugindo podia desertar – com destino a Paripiranga, onde descoberto por agentes da Força Publica, foi preso e conduzido para esta capital. O bandido que se acha recolhido ao xadrez da Praça 13 de Maio, á disposição do chefe de Policia, declarou que fôra forçado, sob ameaça de morte, a seguir o grupo do faccinora deixando–os assum que poude fazel–o. Diz–se analphabeto e haver nascido no municipio de Paripiranga, antigo Patrocinio do Coité.

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8 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
O CANGAÇO NO NORDESTE
“Campinas” diz–se Innocente – Mulheres temiveis acompanham os bandidos
Noticiamos hontem a chegada a esta capital do bandido José Soares Santos vulgo Campinas um dos componentes do grupo de facinoras chefiados por “Lampeão.” O caibra, que se acha recolhido ao xadrez da Piedade, nega haver praticado qualquer atrocidade no decorrer da sua malsinada carreira de bandoleiro do nordeste. É o que dizem todos elles de resto, ao cahirem nas malhas da policia. “Campinas” diz até que foi obrigado, sob ameaça d emorte, a acompanhar o grupo de malfeitores,,, Só por medo de ser sangrado por Lampeão é que resolveu a acompanhal–o.
As tres mulheres que integram o bando sinistro, segundo affirma José Soares dos Santos, são habeis amazonas e manejam o rifle com incrivel destreza. Algumas são tão crueis quanto os homens. Tomam parte nos assaltos e combates ao lado dos bandoleiros, – mostram–se tão destemerosas como elles.

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