03 fevereiro 2012

Cangaceiras entregues - Sebastiana e Laura

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Sebastiana e Laura, em dezembro de 1938
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Com a morte de Lampeão, avançaram os processos de entregas.
Entre as cangaceiras que se entregaram, estava, Sebastiana Rodrigues de Lima, de “Moita Brava”, cujo nome era Deolindo José Ferreira, e Laura Alves de Barros, de "Boa Vista”, cujo nome era Manoel Francisco dos Santos.
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Sebastiana, Moita Brava, Boa Vista e Laura, no livro de Eduardo Barbosa, em foto batida quando das suas chegadas a Salvador.
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Relatório do tenente Odonel sobre a batalha de Favella - Pery-Pery

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Relatório do 2° Tenente ODONEL FRANCISCO DA SILVA ao coronel Terencio Dourado, commandante das forças em operações, sobre o encontro de Favella e Pery–Pery.

Tinha Lampeão desapparecido na sproximidades do Estado de Sergipe, na fazenda Riachão, no dia 27 de dezembro do anno passado. Os destacamentos volantes procurando descobrir o esconderijo, cruzavam as caatingas em differentes direcções, empregando o esforço possivel para não deixal-o escapar.
Por ordem do capitão macêdo, havia eu ido bater nas caatingas de Fonseca, Vacca Branca, Estreito, Lagoinha, Umbuzeiro, Tameberi, Sítio dos Ferreiras, Montanha, Canna Bravinha, Almeida e Borracha, o que fiz sem resultado, visto não ter encontrado vestigio algum dos bandidos.
A 23 d’este, estando eu na Fazenda São Gonçalo, onde havia chegado em noite de 22, recebi uma ligação do sargento Bitú, que se achava destacado em Patamuté, avisando-me de que Lampeão havia surgido na Fazenda Boa Sorte. Mandei incontinente pegar a cavalhada, fiz a ligação com Barro Vermelho e marchei para Juá, contornando a serra da Borracha, pelo lado Oeste por ser velha estrada dos bandidos, e ao chegar na Fazendo Olympio, fui informado de que Lampeão com quatorze caibras alli tinha passado todos a cavallo, ás 10 horas da manhã.
Sem perda de tempo viajei na pista, indo perdel-a ao anoitecer na Fazenda Icó, onde elles deixando a estrada se infiltraram na caatinga afim de difficultar a perseguição.
Bastante desorientado por ter perdido a direcção delles, segui para Cacimba da Torre, onde cheguei muito tarde sem noticia alguma, rasão porque alli pernoitei de 23 para 24.
No dia seguinte (24) procurando descobrir novamente a pista segui para Salta de Pedra, São José e Paredão onde felizmente elles tinham passado ao amanhecer do dia.
Mais animado então por ter encontrado a pista, marchei para Lealdade, Sítio, Caldeirão da Canôa, Caldeirão de Cima e Campos, fazendo n’este ponto pequenoe stacionamento ás 18 horas afim de descançar um pouco a cavalhada, que estava exhauta e faminta.
depois de uma hora de descanço proseguiu viagem, forçado a marcha um pouco, depois de ter passado pelas Fazendas Mudubim e Boqueirão, onde Lampeão havia pegado o estafeta e queimado a mala, alcancei ás 24 horas a Fazenda Periperi, que dista da cidade de Joazeiro 15 kilometros, onde fui informado pelo sr. Severiano de Tal, que Lampeão alli tinha chegado ás 18 horas, feito quatro cartas aos srs. cel. Miguel Cerqueira, dr. Adolpho Vianna, cel. Ignacio Macêdo e cel. João Evangelista exigindo dinheiro, e viajado ás 20 horas para a Fazenda Favella de onde mandou buscar um cantil de cachaça e uma corrente de ouro, que por esquecimento tinha deixado.
Immediatamente, mandei deitar a cavalhada no pasto, reuni os destacamento, n’este momento já desfalcado devido terem se atrazado cinco soldados que viajavam á pe, procurei um rapaz para me servir de guia, e aos 15 ou 20 minutos do dia 25 viajei para a Favella que dista de Periperi tres kilometros.
O meu destacamento então composto por dezenove homens commigo, bem escalonado viajava, guardando profundo silencio.
Depois de uns trinta minutos de viajem o guia avizou-me de que nós nos aproximavamos de Favella, e tira uma camisa que usava afim de se confundir com a escuridão da noite. Estavamos effectivamente sahindo da referida Fazenda.
O sentinella dos bandidos percebendo a approximação da força faz fogo a curta distancia.
Tinhamos cahido, portanto, na emboscada que elles haviam preparado afim de aguardar o regresso do portador que tinha ido a Joazeiro ou a chegada de qualquer força, exactamente o que aconteceu.
O sargento Adherbal com alguns soldados heroicamente respondem o fogo no flanco esquerdo, emquanto eu procurei desalojar alguns bandidos que estavam no flanco direito, o que não me foi muito difficil visto, n’este interim, ter irrompido forte tiroteio quasi a retaguarda dos bandidos que todavia foi de um effeito extraordinario, não obstante ser um pouco affastado do local.
Era o tenente João Candido que neste momento tão critico, mesmo ignorando a minha presença, como eu a delle, me soccorria, pois os bandidos que brigavam no flanco direito passaram logo para oe squerdo e quasi por cima d emim. No momento em que elles procuravam reunir-se aos demais asseclas, ouvi alguem me chamar, não tendo, entretanto, respondido devido achar-me n’uma posição difficil. Era o bravo e abnegado soldado Israel Martins Benicio quem me chamava por ter de se retirar da lucta com alguns companheiros conduzindo o sargento Adherbal, que se achava gravemente ferido, e não queriam me deixar. Os bandidos já reunidos e entrincheirados n’uma parede de Pedra, no flanco esquerdo continuavam brigando, deixando de quando em quando ouvir gritos e improperios. Passei, então, para o flanco esquerdo onde encontrei brigando, desassombradamente, alguns contractados; entretanto os bandidos percebendo que a acção dos atacantes tomava certa tenacidade fugiram para o Serrote chamado da Favella, terminando assim o combate que talvez não tivesse durado vinte minutos. Tudo ficou envolto em profundo silencio.
Demorei-me um pouco no local, e como não visse pessôa alguma, encaminhei-me para meu acampamento em Periperi, cuja direcção ignorava visto ter luctado em differentes posições.
Viajei com a presumpção de que fosse effectivamente para lá, o que verifiquei momentos depois não ser verdade devido a dois bandidos terem me chamado:
- “Companheiro espere ahí”
Deitei-me e esperei julgando mesmo que fossem soldados, quando ao clarão do relampago divulguei pelos chapeus que não eram soldados fiz fogo.
Travamos ali ligeira escaramuça e elles espavoridos fugiram. Mas orientado por saber a direcção dos bandidos, viajei, alcançando o acampamento ás duas horas da manhã, onde já encontrei feridos gravemente o sargento Adherbal de Medeiros Borges e o contractado José Domingos dos Santos, este com dois tiros e tendo o seu fuzil inutilizado por balas.
Ao chegar, o soldado Israel me disse já ter feito uma ligação para Joazeiro pedindo medicamentos para os feridos e mandando dizer que eu não tinha apparecido até então, julgando-me morto, talvez. Ao amanhecer do dia, após o combate de onde coletaram trasendo-me um lenço perfumado, côr de rosa, dois canecos de flandres e uma lata, systema cantil, deixados pelos bandidos.
Terminando devo dizer-vos que o sargento Adherbal portou-se como todo e qualquer militar deve portar-se, isto é, com bravura, sangue frio e dedicação ao lado dos seus companheiros e da ordem. Ainda são dignos de vossa atenção o soldado Israel Benicio, e os contractados Jacintho Porphirio da Cruz, Antonio Francisco de Moraes, José Domingos dos Santos e Francisco Lopes, já pela bravura demonstrada na peleja, já pela abnegação pura que tiveram como o sargento Adherbal.

Cidade de Bomfim, 30 de Março de 1930
a) 2° Tenente ODONEL FRANCISCO DA SILVA, commandante do destamento volante.
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18 de maio de 1935, no “Diario de Noticias”

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18 de maio de 1935, no “Diario de Noticias”:

“Lampeão” não quer negocios com a policia da Bahia

Dois minutos de interessante palestra com as mulheres de Mariano e “Jurema”, chegadas, hontem, presas

A vida, para o banditismo, “no outro lado”, está melhor...

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O DIARIO DE NOTICIAS offerece, hoje, aos seus innumeros leitores, a opprtunidade de uma entrevista com as mulheres de Mariano e “Jurema”, dois dos peores scelerados que teem palmilhado a zona escaldante e longinqua do nordéste bahiano.
São ellas Anna Maria da Conceição, com 23 annos de idade, mestiça, nascida nas Baixas, no município de Geremoabo, e Otilia Teixeira Lima, parda, de 25 annos, estatura média, procedente das caatingas de Poços, distante 15 leguas daquella cidade.
Fomos encontra–las, hontem, na delegacia Auxiliar. Momentos antes, haviam chegado do nordéste, pelo trem do horario, devidamente escoltadas por seis praças da Policia Militar.
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Anna e Otilia
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Como foi presa a primeira

Anna foi presa nas caatingas do logar denominado São José, tendo, nessa occasião, recebido dois tiros de fuzil, que lhe perfuraram os braços.
Estava ella em companhia de “Jurema”, “Beija–Flôr”, “Nevoeiro” e “Juremeira”, quando surgiu, inesperadamente, a força volante do sargento Vicente, que, de ha muito, vinha sequindo as pégadas do bando sinistro. Logo que viu os policiaes, “Jurema” rompeu cerrado tiroteio contra os mesmos, que, reagindo valentemente, puseram em fuga os cangaceiros. No embate, que durou poucos minutos, caiu ferida Anna Maria. “Jurema” quis, ainda, soccorre–la, mas, acossado pelas balas, teve que fugir, deixando a companheira nas mãos dos seus perseguidores.

A outra “descansava”...

Otilia estava com o bando de Mariano, na Fazenda “Mucambo”, junto com “Páo Ferro”, “Criança” e “Pai Velho”. Minutos após a chegada do grupo, dois cáibras fôram escalados para arranjar montadas na vizinhança. Foi quando appareceu, de surpresa, o contingente do sargento José Rufino, que, com 15 praças, vinha procurar pousada na alludida fazenda.
Reconhecendo os bandidos, a força entrou a tiroteiar contra os mesmos, pondo–os em fuga, depois de cerca de duas horas de fogo. Otilia estava descansando na casa da fazenda, quando começou a fuzilaria.
Receiosa de ser attingida pelos projectis, alli deixou–se ficar, sendo finalmente presa e conduzida para esta Capital, onde se encontra. Mariano, seu velho companheiro conseguiu, habilmente, cortar a rectaguarda da força, fugindo á chuva de balas que se despejava sobre elles.

Contando a sua vida...

– E ainda dois graças a Deus, de estar aqui! Pensei que a força me fuzilasse, no momento em que fui presa. Ha cerca de quatro annos, ingressei no bando de “Lampeão”. Por essa occasião, o “Capitão” andava lá pelo Raso da Catharina, acompanhado de José Bahiano, “Gato”, Pó Corante”, Mariano, “Bananeira”, “Volta Secca”, “Maçarico”, “Cajueiro”, “Balisa”, “Cabo Velho”, “Nevoeiro”, Luis Pedro, Virginio, “Suspeito” e “Medalha”. Viajava para Poços, com meus dois irmãos, quando deparei o bando do “Cégo”.
Mariano botou os olhos em cima de mim e me ordenou que o acompanhasse. Não tive outro jeito senão seguir. Juntei–me ás outras mulheres e comecei a andar pelo matto, sem pouso, passando fome e sêde, até o dia em que fui presa.

Como ciganos

– E como vivem os bandidos?
– Pelos mattos, dormindo hoje aqui, amanhã alli, comendo carne do sol e ás vezes, um pouco de farinha. Agua arranja–se nas raizes de umbú. Á noite, todos se deitam no chão e embrulham–se com as suas cobertas. Quem tem mulher dorme separado, debaixo de algum pé de paó... É uma vida desgraçada... – concluiu Otilia.
Anna Maria assistia á conversa, com o corpo descansando sobre os calcanhares.

Uma historia de amôr...

– Vivia com a minha familia nas Baixas, cerca de onze leguas de Geremoabo. Um dia, a força do tenente Macedo appareceu por lá e, sabendo aque alli moravam os parentes de “Jurema”, queimou tudo. Até as roças de feijão! Eu era noiva de um irmão de Jurema, que estava no bando de Lampeão, e tinha o mesmo appellido. Vendo–o, a força prendeu–o. E já iam longe, quando o meu noivo, conseguindo intimidar os dois soldados que o escoltavam, fugiu. No caminho, convidou–me para fugir com elle. Aceitei. Dias depois, estávamos no meio do bando de Lampeão. Quis voltar. Não tive mais jeito. Ordem era ordem. Tinha que acompanhar obando. Assisti a innumeros combates, durante estes tres ultimos annos.


... E o peior tiroteio


O peor, porém, – continúa – foi o de Maranduba, onde morreram “Sabonete”, “Quina–Quina” e “Catingueiro”. Foi um tiroteio que durou varias horas. Quase fiquei surda. Eramos seis mulheres e estavamos separadas do bando. Dois caibras ficavam de sentinella comnosco, sempre que havia um combate. Depois, com os córtes da rectaguarda, Lampeão abria caminho e assim podiamos fugir.

Lampeão luta como uma féra!

– E Lampeão vai tambem para a frente?
– Sim, senhor. Lampeão é uma féra. Não tem mêdo de nada. É o primeiro que atira e vai ba frente. Quando eu entrei no bando, Lampeão estava com duas marcas de bala. Uma, no pé, e outra no braço. Foi nessa occasião que “Gato” foi ferido tambem...

Falando sobre o “Capitão”...

– Queremos alguns informes sobre Lampeão...
– O Capitão é de estatura média, bem moreno e cabello castanho. Usa oculos amarellos, pois é cégo de um olho. Traja sempre uma roupa mescla, chapéo de couro e alpercatas. Carrega um mosquetão, uma “parabellum” e tres cartucheiras, além de varios bornaes cheios de bala. Atravessado na cintura, um grande punhal.

Não quer nada com a nossa Policia

Deixei elle agora do outro lado, com varios cáibras, pois a coisa está preta no nordéste.
– E onde é o outro lado?
– Lá, em Alagôas e Sergipe. As coisas lá não são como aqui. Vive–se mais tranquillo e mnos perseguido.
Estávamos satisfeitos.

A verdade, ainda uma vez...

Effectivamente, a situação do nordéste é outra, hoje. O bandido não tem para onde se mexer. Difficilmente, desloca–se de um ponto para outro. A sua acção tornou–se quase nulla. Vive, agora, passando uma vida de miserias...
As novas directrizes traçadas pelo Cap. João Facó e executadas pelos seus auxiliares, na campanha contra o banditismo, lograram, felizmente, verdadeiro exito.
Hoje, já se respira nas caatingas.
Não ha mais aquelle pavor de outr’ora, quando pairava nas caatingas o espectro sinistro da morte.
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02 fevereiro 2012

Cangaceiras aprisionadas

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Anna e Otilia
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A presença de cangaceiras aprisionadas foi uma das marcas do momento.
Anna Maria da Conceição, nascida em Jeremoabo, era companheira do cangaceiro Jurema.
Caminhava com Jurema, Juremeira, Beija-Flor e Nevoeira, quando a volante do sargento Vicente caiu sobre o subgrupo.
Foi alvejada com dois tiros de fuzil, que lhe atingiram os braços, sendo capturada.
Otilia Teixeira Lima, de Poços, era companheira de Mariano. Adentrou o Cangaço em 1931, depondo que constituíam o bando, naquele momento em que adentrou, Lampeão,Mariano, Zé Bahiano, Pó Corante, Gato, Bananeira, Volta Secca, Maçarico, Cajueiro, Balisa, Cabo Velho, Nevoeiro, Luis Pedro, Virgínio, Suspeita e Medalha, além de Maria Bonita e algumas mulheres que não indicou os nomes.
Deslocava-se, em 1935, junto com Mariano, Criança, Pai Velho e Pau Ferro, quando foi o subgrupo cercado pela volante do sargento Rufino.
Cerrada brigada, foi cercada,não conseguindo Mariano romper o seu cerco para libertá-la. Acabou entregando-se.
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26 janeiro 2012

Mural na Rodoviária de Feira de Santana



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Parte do mural, que teve pintura de Lênio Braga, com Udo como Ceramista, colocada na Rodoviária de Feira de Santana, na Bahia, em 1967:

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Batalha das Fazendas Peri-Peri e Favela

A 24 de março de 1930 estourou um combate na Fazenda Peri-Peri, próxima a Juazeiro, estendendo-se até a Fazenda Favela.
Neste, três militares saíram gravemente feridos.
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O sargento Aderbal Borges teve entrada de projétil um pouco acima da mandíbula, no lado direito da face, com saída pelo lábio inferior, no seu lado esquerdo.
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Depoimento de Ângelo Roque, o cangaceiro Labareda, que participou do confronto, a Estácio de Lima (1965):
"Nóis ia viajano, um dia, na rodage i topemo us macaco du sargento ADERBÁ... Nóis nun teve certeza si êles vinha da FAVELA, ou du JUAZÊRO. Sustentemo um fôgo currido, i mergúiemo na caatinga. Us macaco perdero a pista. E nóis tinha ali pru perto um pôso que nun era bom, mas porém sirvia. Cumpade LAMPIÃO riuniu us pessoá i mandô ZÉ BAIANO imboscá a istrada di FAVELA i nós fiquemo di imboscada na istrada di JUAZÊRO. Peguemo, aí, um portadô, i toquemo-lhe o pau, i tomemo um dinhêro qui ficô cum LAMPIÃO. Dinhêro era perciso, mas nun fartava, vino dus Coroné, dus amigo, di quem fô. U capitão deu orde i dispachô um camarada pra buscá mais u’a importânça in JUAZÊRO. Nóis fumo denunciado pru êsse cabrinha faladô i tivemo duas brigada, pra bem dizê uma pru riba da outa. ZÉ BAIANO cum a volante qui vinha da FAVELA i LAMPIÃO cum nóis, di nôvo brigano mais um sargento ADERBÁ i us macaco dêle. A orde nun era pra nóis combatê pra valê, inté u fim. Nóis di nôvo arricuemo, si sumino, pra vortá na casião dérêita. I sempre gritano, subiano, discompono. Nu’a dessas casião, u fôgo cerrô feio, i u sargento ADERBÁ, cum dispusição di home, vançô pra nóis, quereno cabá cá gente, i entonces si discubriu. Levô um tiro danado qui firiu na cabêça, bem nus quêxo da cara; nóis subemo qui foi coisa fêia, mais porém u sargento guentô cumo home i u resto dus macaco nun correro. ADERBÁ inda véve, sendo Coroné da Puliça. Nóis ivitô cuntinuá nas brigada dêsse dia, apois nun paricia havê vantage pra nóis. Cumpadi LAMPIÃO deu siná i nóis abrimo caatinga adentro. ZÉ BAIANO já tinha chegado, mas VORTA SÊCA tava sumido. Ninguém creditô qui êle tivesse sido matado! Drumiu nu mato, i nu outo dia quando nóis tava distanciado i cumecemo a cantá MULÉ RENDÊRA, VORTA SÊCA chegô, contano qui teve pirdido, i achô nóis pulo canto da MULÉ RENDÊRA."
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Também feridos no mesmo tiroteio...
soldados Calixto Eleuterio dos Santos e Jose Domingos dos Santos

O soldado Calixto Eleuterio dos Santos teve três ou duas costelas do lado esquerdo fraturadas por tiro de fuzil.
O soldado José Domingos dos Santos teve a coxa esquerda varada por uma bala e o dedo polegar esquerdo espedaçado por outra.
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24 janeiro 2012

06 de setembro de 1928, no “Diario de Noticias"

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06 de setembro de 1928, no “Diario de Noticias”:
Lampeão
DESLISOU ENTRE OS SITIANTES, FARDADO DE SARGENTO DA POLICIA PERNAMBUCANA...

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Preliminarmente: Virgolino não é cearense; é Pernambucano ou do Rio Grande do Norte.
É o que nos escreve, affirmando, o sr. J.Sampaio Barros, que faz questão de provar a naturalidade do clavinoteiro ambulante.
Lampeão, a estas horas, deve estar fugindo das caatingas da serra da Tranqueira, depois de deixar terras do Cumbe, perseguindo os fazendeiros locaes.
E sobre a sua estadia no Cumbe, estamos informados do seguinte episodio: certo dia, surgiu um grupo de praças, montadas e embaladas, de chapéos de feltro de abas largas, na fazenda do coronel X, o mesmo amigo e correligionario do senador Plinio Dantas;
Recebeu o coronel a caravana na “varanda” da fazenda, curioso, ao responder aos bons dias da tropa, de saber de quem s etratava.
– Somos, disse o chefe, um destacamento da policia de Pernambuco...
– Muito bem. Estão em diligencia?
– ... à procura do celebre Lampeão.
Queremos, por isso, pousada e, depois, armamento e munição.
O coronel mais confiado:
– É pena não poder servir aos camaradas. Armas e munições é o que me faltam.
E, lamentando:
– Infelizmente, porque gostaria de os auxiliar na prisão desse bandido Lampeão.
O destacamento saltou, amarrados os animaes, afrouxados os arreios, fez–se o almoço. Estomago cheio, depois duma prosa habil, o commandante da força pernambucana chamou á parte, o fazendeiro:
– Eu não gosto de enganar ninguem. O coronel tem vontade de ver Lampeão preso, esfolado ou morto. Pois eu sou Virgolino Ferreira – Lampeão.
– Ahhhhhh...
Mal poude gemer, o coitado.
Mas, não sofreu outro mal além do susto.
Lampeão minutos depois, “voava” em animaes da fazenda, mettendo–se como “almas de outro mundo” entre os sitiantes, rumo da serra mais estrategica e proxima, em demanda de Tranqueira, donde já se fez rumo á Serra do Meio.
O fazendeiro do Cumbe depois, botou a bocca no mundo telegraphando ao sr. chefe de Policia.
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